Honpar realiza primeiro transplante de coração em Arapongas e marca novo capítulo na saúde do Paraná

Procedimento foi realizado no início de agosto em paciente de 49 anos, que passou 77 dias internado à espera de um coração compatível

Honpar realiza primeiro transplante de coração em Arapongas e marca novo capítulo na saúde do Paraná
Honpar realiza primeiro transplante de coração em Arapongas e marca novo capítulo na saúde do Paraná

O Hospital Norte Paranaense (Honpar), em Arapongas, entrou para a história da saúde da região ao realizar o primeiro transplante de coração da instituição. A cirurgia aconteceu na manhã do dia 7 de agosto e foi considerada um marco para o hospital e para os pacientes que dependem de transplantes cardíacos.

O receptor é um homem de 49 anos, morador de Paranavaí, identificado pelas iniciais J.B.M. Ele enfrentava um quadro grave de insuficiência cardíaca e permaneceu 77 dias internado aguardando a disponibilidade de um órgão compatível.

Paciente enfrentava doença cardíaca grave

Segundo as informações divulgadas pelo Honpar, o paciente convivia desde 2019 com insuficiência cardíaca avançada relacionada à doença de Chagas. Com a progressão do problema, em 2024 foi necessário implantar um cardioversor desfibrilador implantável, equipamento utilizado para controlar e tratar arritmias cardíacas graves.

Em 21 de maio deste ano, o quadro se agravou e ele precisou ser internado em estado crítico. O paciente foi encaminhado para a UTI, onde permaneceu sob cuidados intensivos enquanto aguardava uma oportunidade para o transplante.

Coração compatível mobilizou grande operação

A esperança chegou na noite de 6 de agosto, quando a equipe médica recebeu a informação de que havia um coração compatível com o paciente. O órgão havia sido disponibilizado por um doador do Paraná.

A partir daí, uma grande operação logística foi colocada em andamento. A Organização de Procura de Órgãos de Londrina e a Central Estadual de Transplantes do Paraná coordenaram o processo, que contou ainda com aeronave do Governo do Estado e apoio da Polícia Militar.

O objetivo era garantir que o órgão chegasse ao Honpar dentro do período adequado para que o procedimento pudesse ser realizado com segurança.

Cirurgia foi coordenada por especialista

O transplante foi realizado pela Comissão de Transplante de Coração e Válvulas do Honpar, sob coordenação do cirurgião cardiovascular Dr. Arnaldo Akio Okino, profissional que atua há mais de 20 anos na área de transplantes cardíacos e de válvulas.

A realização do procedimento representa uma nova possibilidade de tratamento para pacientes com doenças cardíacas graves que necessitam de transplante.

Recuperação apresenta evolução positiva

Depois da cirurgia, o paciente permaneceu por dez dias na UTI para acompanhamento intensivo. A evolução foi considerada favorável e, no dia 17 de agosto, ele deixou a terapia intensiva e foi encaminhado para uma unidade de internação.

Até o dia 20 de agosto, o paciente permanecia estável e em recuperação, acompanhado de perto pela equipe médica e pelos familiares. Caso a evolução continue positiva, a previsão divulgada pelo hospital é de alta no dia 26 de agosto.

Doação de órgãos foi fundamental

Além do avanço médico, o primeiro transplante cardíaco realizado pelo Honpar também chama atenção para a importância da doação de órgãos.

Para a equipe responsável pelo procedimento, a cirurgia só foi possível graças à união de diferentes profissionais e instituições, mas principalmente à decisão da família doadora, que autorizou a doação em um momento de profunda dor.

O gesto permitiu que um paciente que aguardava por uma nova oportunidade pudesse receber um novo coração.

O procedimento também contou com a participação de profissionais do Honpar, da Organização de Procura de Órgãos de Londrina, da Central Estadual de Transplantes, da Polícia Militar, da Casa Civil do Governo do Paraná e do Aeroporto Municipal de Arapongas Alberto Bertelli.

Um novo caminho para o Honpar

O primeiro transplante cardíaco realizado em Arapongas representa mais do que uma cirurgia pioneira. O procedimento abre uma nova etapa para o Honpar e cria expectativa de que outros pacientes possam ser beneficiados no futuro.

A conquista demonstra também a importância da estrutura hospitalar e da integração entre equipes médicas, órgãos públicos e toda a rede estadual responsável pela captação e transporte de órgãos.

Para quem aguardava há semanas por um coração compatível, porém, o significado é ainda maior: uma segunda chance de vida.