Beto Preto garante criação de Subcomissão na Câmara para acompanhar fim da concessão da Malha Ferroviária Sul
A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (20), o Requerimento 57/2026, de autoria do deputado federal Beto Preto (PSD/PR), que cria uma Subcomissão Especial destinada a acompanhar o encerramento da concessão ferroviária da Malha Sul. A vitória parlamentar chega em um momento crítico: o contrato firmado em 1997 com a Rumo Logística se encerra em fevereiro de 2027 e, até agora, o país ainda não tem um plano definitivo para o que vem depois.
A Malha Sul é uma das mais importantes estruturas logísticas do Brasil. São 7.223 quilômetros de ferrovia que cortam o Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, conectando áreas produtivas aos principais portos de exportação e sustentando cadeias essenciais do agronegócio, da indústria e do setor mineral. Para Beto Preto, a ausência de um planejamento claro para esse ativo estratégico é inadmissível.
"Estamos a menos de um ano do fim de uma concessão que envolve mais de sete mil quilômetros de ferrovia e bilhões de reais em infraestrutura pública, e o país ainda não sabe o que vai acontecer depois. Isso não é aceitável", afirmou o deputado.
O cenário é agravado por um passivo de mais de R$ 2 bilhões em trechos que precisam de recuperação e por denúncias de que a concessionária estaria retirando trilhos do Rio Grande do Sul para uso em outros estados — situação que já motivou intervenção do Ministério Público Federal, que recomendou a paralisação imediata dessas remoções. O governo federal, por sua vez, anunciou um plano de fatiamento da malha em três corredores logísticos, com leilões previstos para o final de 2026. A proposta, no entanto, enfrenta resistência dos estados do Sul, que temem a falta de interessados em determinados trechos e problemas de integração entre diferentes operadoras.
Foi diante desse quadro que Beto Preto apresentou o requerimento aprovado. A Subcomissão terá poderes para realizar audiências públicas, diligências técnicas e convocar representantes da ANTT, do Ministério dos Transportes, dos governos estaduais, das concessionárias e dos trabalhadores do setor ferroviário.
"A criação desta Subcomissão é o Parlamento cumprindo seu papel. Não podemos ficar assistindo de camarote enquanto uma decisão dessa magnitude é tomada sem o devido debate público, sem transparência e sem a participação dos estados e da sociedade", declarou o parlamentar.
O deputado também destacou a dimensão econômica e ambiental do tema. O transporte ferroviário custa, em média, 30% menos que o rodoviário, e uma composição de cem vagões substitui 150 caminhões nas estradas, com emissão de 80% menos carbono. Abrir mão dessa infraestrutura pode comprometer décadas de desenvolvimento regional.
"O Brasil não pode se dar ao luxo de tratar temas dessa magnitude apenas de forma reativa. Ferrovia não se reconstrói da noite para o dia. É preciso planejamento, acompanhamento e responsabilidade institucional — e é exatamente isso que esta Subcomissão vai garantir", concluiu Beto Preto.



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